Em algumas resenhas anteriores do álbum, as pessoas já entenderam como algumas das músicas falam sobre seu relacionamento com sair de casa. Eu realmente não percebi isso até esse isolamento, mas esse é um tema recorrente nas suas letras ao longo de sua carreira, em músicas como Love Me ou Give Yourself a Try. É algo que você tem experiência? Você pensa diferente agora em quarentena?

Acho que sempre lidei com a ansiedade social – tendo a performance como trabalho – em uma espécie de paradoxo na minha vida. Não é como se eu estivesse socialmente ansioso, é apenas que eu escolho não sair na maior parte do tempo. Você sabe, quando saio, normalmente fico bem. É esse sentimento que existe dentro da minha cabeça, e minhas emoções e reações fazendo parte de um processo de pensamento que pode ser fraturado em sua essência. Eu acho que estou sempre prestando homenagem à ideia de “É isso que eu penso, mas eu nem sei se acho certo”, você entende o que eu quero dizer?

Existe algum tipo de conforto nessa escolha que está sendo tirada de você neste período de quarentena? Uma certa tranquilidade em não ter que escolher sair, em ter que fazer algo ou ser alguém?

Eu não sei. Eu acho que estou meio que – não tenho literalmente medo de sair. Eu apenas sinto que agora, estou mais consciente do… cultivo do meu próprio mundo, em oposição ao desejo constante de curar o mundo em geral. Você sabe, a política começa em casa, e não é que eu não defenda as mesmas idéias em casa que eu faço em público, é apenas que sinto que passo muito do meu tempo tentando mudar o mundo. E talvez eu deva passar mais tempo tentando mudar meu mundo, e tentando curar o meu mundo, manter relacionamentos, esse tipo de coisa.

Existe algo que te empolgue com a ideia de lançar um álbum em quarentena?

Eu gosto da ideia de que isso meio que solidificou meu desejo de realmente ter expressões longas. Tipo, mesmo no ano passado, minhas mídias sociais ou minha presença fora da música – o que não é muita, porque está tudo alinhado com a minha música – minha presença fora dos meus álbuns se tornou muito mais parecida com informações ou, piadas. Fora isso, as opiniões são deixadas para os meus álbuns, ou conversas em formato longo. Então, suponho que esses podcasts e os álbuns… não quero fazer nada de interesse próprio, porque não tenho mais esse interesse pessoal. Então eu acho que o disco não é interesseiro. Os podcasts que eu faço não são interesseiros. E a ideia é a seguinte: eu gosto de trabalhar para criar um ambiente para mim, onde eu possa apenas ter expressões longas e ser feliz com isso. E eu meio que cheguei nesse patamar.

Portanto, você não consideraria Notes On a Conditional Form um disco de interesse próprio? Estou curioso como você quantifica isso.

Bem, não quero dizer que não seja um disco auto-indulgente. Mas não tem muito ego. E isso não discute muito o ego. E se isso acontece, é mais uma espécie de desconstrução. Suponho que seja indulgente na maneira que realmente não nos importamos tanto em ser longo e sinuoso… só que não é particularmente consciente de si mesmo, é isso. Não tem postura ou tentativa de ser alguma coisa, nem tenta construir uma opinião sobre o que é, entende o que quero dizer? É um disco muito livre e tem muita humildade. Você sabe, eu não estou lidando com as mesmas coisas que eu estava lidando nos [meus discos anteriores]. Você mencionou Love Me, por exemplo – é muito sobre o meu ego e como estou negociando com ele, e como ele se manifesta na cultura pop como uma espécie de versão exagerada do que realmente é. Essas idéias simplesmente não estão tão presentes no meu trabalho agora.

Há cinco anos, você disse que a maneira como você mede o sucesso da banda é a resposta dos fãs na turnê – nos shows e nas vendas de ingressos. Então, quando você lança um novo álbum e a turnê ainda está longe de acontecer, como você mede o desempenho do álbum e se está trazendo a você o que você quer na sua carreira?

Suponho que eu estava falando [na época] no contexto de nos tornarmos uma banda muito, muito grande, mas ainda sermos um banda cult. Nós ainda meio que somos. Eu só acho que – eu ainda estava impressionado que lotávamos aqueles lugares. Não gastei muito tempo ouvindo rádio, não gastei muito tempo fazendo isso e aquilo. Então foi assim que eu quantifiquei na época. Então acho que agora, como é um pouco diferente, vejo nosso alcance em lugares diferentes. Eu vejo nossa influência em lugares diferentes. Eu acho que esse disco serve agora, para ser sincero. Faz um pouco de sentido, parece quase justificado.

Você viu que If You’re Too Shy (Let Me Know) se tornou seu maior hit nas paradas? 

Oh, sério? Onde, na América ou algo assim?

Não, no Reino Unido, estreou em 14. Superando The Sound. 

Ah, sério? Entendi. Sei lá. Na minha gravadora, presto muita atenção a esse tipo de coisa – não quero alegar ignorância e ser, fofo e burro, tipo, “Oh, eu não sabia!” [Risada falsa]. Não, eu meio que sabia… mas tipo, se eu prestasse muita atenção à métrica da The 1975, eu ficaria estressado . Essa não é minha vibe. É engraçado, porque tipo, quando são outros artistas, eu meio que trabalho como um profissional… Eu não tomo liberdades ou qualquer coisa desse tipo. Mas quando se trata da minha banda, eu ainda ajo como um pirralho de 18 anos, você entende o que eu quero dizer? [Voz desagradável de adolescente] “Eu não quero fazer isso, isso é idiota!” Eu sou assim na minha banda. Então, se eu começar a me preocupar com os hits…  E quem dá a mínima? Eu nem queria lançar Too Shy. Não me pergunte. Eu não sei.

O que você quer dizer com isso? Você não achou que era um single?

Eu sempre tenho que me deixar ser um pouco infantil. Porque, tipo, eu sei que as pessoas iriam adorar essa música. E eu sei que é um bom single e etc. Mas, para ser sincero com você [quando se trata de singles], preciso ser realmente emocionalmente guiado. Na verdade, eu sei o que é um bom single, sei que Too Shy é uma boa música, só acho que, atualmente, percebo que as pessoas precisam de música assim – enquanto eu sinto a música que quero lançar é bastante difícil. Mas isso não é o que importa… a vida é mais do que isso.

Você sente que músicas como Too Shy lhe dão capital para lançar músicas como People? Obviamente, People provavelmente não estava destinada a ser um grande sucesso nas paradas, mas ter uma música como Too Shy esperando dá a você a chance de seus fãs e aos que tomam a decisão dizerem: “Deixe-me colocar este single, quero me expor primeiro e, eventualmente, chegaremos a Too Shy“?

Quero ser sincero com você, não. Porque lançamos quando terminamos,. Quero dizer, Too Shy demorou um pouco e veio mais tarde. E para ser justo, nós sabíamos: “Oh, seria essa estar no álbum”. Porque, para ser justo, o que realmente acontece é que sempre escrevemos uma dessas músicas, tipo todos os anos, em todos os álbuns, escrevemos The Sound ou It’s Not Living, como um [hit] da The 1975 por excelência… acho que essa é uma parte muito grande do nosso DNA. E acho que isso acontece quando nos divertimos. Então eu fico tipo, “Nós não deveríamos estar nos divertindo! O mundo está pegando fogo!” Mas você sabe, talvez devêssemos nos divertir.

No início do processo, você sabia que esse seria o seu maior e mais longo álbum?

Bem, nós realmente não sentamos e conversamos sobre exatamente por que essa música deve existir ou o que seja. É apenas sobre a emoção que isso nos traz. E então nós basicamente adicionamos a uma playlist, e meio que a colocávamos no modo aleatório em “músicas recentes” ou o que quer que seja, e deixávamos tocar. E então você meio que tira o que não gosta. E então, quando fizemos isso três vezes, sempre acabamos com as mesmas 22 faixas. Então, essa foi a resposta, sabe?

Existe alguma ideia de que algum dia The 1975 fará sua versão do Is This It do Strokes? Você sabe, apenas 11 músicas, 37 minutos, um padrão sonoro que meio que dá certo? 

Muito! Sim, é engraçado você dizer isso. Suponho que sempre quero me desafiar como artista. E eu realmente não pensei sobre a forma até agora, porque eu apenas faço álbuns, e faço álbuns da maneira que quero fazê-los. E suponho que talvez seja um desafio para mim. Eu realmente não tinha pensado nisso, mas talvez fazer um disco linear, Spirit of Eden [Talk Talk]  ou Hats do Blue Nile…  Sim, acho que isso seria um desafio. Eu gostaria de fazer um disco assim.

Você já falou sobre você e George fazerem um disco totalmente eletrônico. Você se sente mais confortável em integrar essa parte da sua produção nos álbuns da The 1975, ou isso ainda é algo que você está pensando pouco?

Tipo, em parte percebemos que nossa identidade como The 1975 é realmente muito abrangente. Portanto, não precisamos nos preocupar tanto com isso. Mas eu acho que um disco ambiente virá algum momento da nossa carreira, porque esse é o tipo de música que ouvimos, sabe? 

Eu queria perguntar sobre alguns dos temas relacionados à sua sexualidade no disco – que é uma discussão pela qual você teve alguma reação no passado, algumas citações suas talvez sejam tiradas de contexto. É algo que você ainda faz questão de mergulhar, mesmo sabendo que podem haver muitas perguntas sobre isso?

Me & You Together Song é baseada em um personagem. Portanto, não estou realmente preocupado com isso levantar questões sobre minha sexualidade. Eu acho que sempre fui meio hétero sem fragilidade, e pensei que isso era óbvio… acho que as pessoas desejavam que minha sexualidade fosse muito mais interessante pare mim do que é. E as coisas que eu meio que comentei foram sobre a perspectiva externa, e por que talvez eu esteja confuso sobre isso.

Mas em uma música como Jesus Christ, você está cantando diretamente sobre uma história de amor homo afetiva. Eu não sei se isso também é considerado personagem, ou…

Oh, isso… bem, sim, acho que sim. Quero dizer, é um pouco coincidente – talvez seja algo que está acontecendo que seja freudiano em minha mente, não sei o que está acontecendo. [Risos] Mas eu acho que com essa música, a maneira como ela realmente surgiu é que existia uma versão musicalmente, mas duas versões diferentes liricamente. Então era tipo… uma versão era sobre um tipo de complexo prisional, e outra versão sobre opressão religiosa na juventude da América. É basicamente sobre isso que as duas versões eram. E depois, eu meio que as arrumei e fiz uma música com isso. E então é meio interpretativa e interessante, de modo que essa linha vem de um tipo de lugar de… triste solidão e remorso por ser alguém em um lugar onde você não pode ser. E acho que é uma ideia bastante internacional.

Você ficou surpreso que as pessoas se apegaram à letra de Pinegrove em The Birthday Party da maneira que fizeram?

Bem sabe de uma coisa? Você é o terceiro jornalista a mencionar isso, e…

Bem, é uma letra feita sob medida para os jornalistas fazerem perguntas.

Ah, é isso! Tipo, eu não estou mais muito no Twitter, e não sei onde muitas dessas discussões acontecem. Mas vejo que o mundo dos jornalistas de música é bastante parecido com o Twitter. E há muitas pessoas que eu sigo e coisas assim. Mas o fato de ter sido uma discussão entre jornalistas só me chamou a atenção agora, quando as pessoas comentaram. Na verdade, eu nem sei o que as pessoas estavam dizendo. Para mim, eu pensei que era obviamente uma letra sobre uma época e as pessoas não sabendo o que fazer, basicamente. Era meio que todo mundo na minha idade, 28 a 32 anos, na cena do rock indie, e sem saber o que diabos estava acontecendo, você entende o que eu quero dizer? Novamente, como toda música da The 1975, ela não expressa uma opinião. Tipo, nenhuma das minhas letras expressa opiniões, a menos que sejam sobre mim. Tipo, Love It If We Made It – eu nunca seria capaz de gravar discos como A Brief Inquiry se estivesse cantando: “Isso está errado, esse cara é um idiota…” Eu apenas faço perguntas. Eu só gosto de apontar o que vejo ao meu redor. Até falei com Evan [Stephens Hall, vocalista do Pinegrove] sobre essa letra de antemão, e ele até gostou e ficou bastante interessado na música. Mas ainda não sei o que as pessoas estão dizendo. Suponho que seja interessante referenciar isso, mas é claro que eu referenciaria isso! Era uma coisa enorme que estava acontecendo na época.

Como é que você se sente sobre The 1975 estar mais envolvida na discussão crítica, e sendo mais aprovados pela crítica, do que eram em seus dois primeiros discos? Isso é desconcertante para você? Ter aclamação universal muda seu relacionamento com a música que você está fazendo?

Provavelmente mudou, no começo. Mas o fato de não ter acontecido provavelmente significa que somos a banda que somos agora. É difícil aceitar, entendeu o que eu quis dizer? Quero dizer, não é difícil, mas você precisa realmente acreditar em si mesmo se fizer uma declaração e, em seguida, as pessoas ficarem tipo: “Não, foda-se!” Ou você busca essa aprovação ou pensa: “Foda-se, você literalmente não sabe do que está falando!” e se afaste meio que rindo. E foi isso que fizemos. Mas, honestamente, isso é legal. É como uma bela sessão de fotos ou um belo carro que te pega no aeroporto. É tipo, “Isso é legal!”. Mas eu realmente não me importo. Porque se eu me importasse, não seria capaz de gravar.

Existe uma parte de você que quase sente falta de ser mais divisora ​​da crítica? Uma parte de você que só acha que está fazendo algo certo quando nem todos concordam que o que você está fazendo é bom?

Ah, as pessoas ainda não gostam de nós, com certeza. Mas, para ser sincero com você… eu acho que somos uma banda de verdade! Então, eu ficaria desconfiado se, tipo, todo mundo nos odiasse. Seria tipo, “Vocês estão errados!” Somos uma banda foda. Acho que gosto de [aprovação da crítica] porque gosto de cultura. E eu gosto de ler  Pitchfork – eu leio o que a Pitchfork escreve sobre outras pessoas e coisas assim.

Eu quero saber tudo o que há para saber sobre Guys. Qual foi o momento que a inspirou?

Eu realmente não consigo me lembrar. Aconteceu muito naturalmente, eu acho. Eu não sei por que, eu apenas pensei [cantando] “Foi a melhor coisa que já aconteceu”- o quê? E então percebi, bem, foi essa a melhor coisa que me aconteceu . Começar esta banda. E eu percebi que muitas músicas de amor são escritas da perspectiva de nossos relacionamentos românticos, como os relacionamentos formativos em nossa vida. E acho que muitos de nossos relacionamentos são platônicos, nossas amizades são coisas pelas quais devemos prestar homenagem. Porque nós realmente não prestamos homenagem a isso tanto, na arte, sabe?

O que os meninos tinham a dizer sobre isso quando ouviram?

Tipo, você sabe. Somos todos muito amorosos, mas somos todos homens no final do dia. Então foi muito, tipo, “Oh, isso é legal.” Nem comentamos muito sobre o que acontecia, porque tínhamos que terminar a música, sabe?

Você está preocupado com o fato de haver uma época em que você está tocando a música no palco, enquanto acabou de brigar nos bastidores – tipo, Adam está olhando para você e você está meio chateado com George – vai ser estranho ainda ter que tocar essa música incrivelmente sentimental sobre as três pessoas com quem você está no palco quando nem sempre se sente assim? 

Quero dizer, acho que estamos chegando aos 18 anos juntos agora – é a mesma formação. Então, se nós estivéssemos [sempre brigando], não poderíamos chegar ao ponto em que gostaríamos de escrever uma dessas músicas, sabe o que quero dizer? Então eu acho que agora, não vai acontecer isso. Não somos assim – nós somos como uma família. E talvez eu pareceria ingênuo [na música] se estivéssemos juntos há cinco anos. Mas estamos perto dos 20, honestamente. Então, sabemos o que se passa. Nós sabemos o que é importante. Nós sabemos quem somos. Não haverá brigas nos bastidores, posso te garantir.

Eu queria perguntar sobre os podcasts da semana passada. Então, dentre os sete – obviamente, essas são suas lendas e heróis pessoais – qual deles realmente o deixou mais nervoso antes de atender o telefone?

Kim Gordon. Não sei por que, acho que o tipo de adolescente em mim saiu. Connor [Oberst] é um amigo meu, Mike [Kinsella], nós meio que falamos antes, Brian [Eno] nos conhecemos e já tivemos uma dessas conversas antes. E eu ouvi dizer que Stevie [Nicks] era uma grande fã. Com Kim, ela ainda parece ser o tipo de garota cool. Ela é muito gentil, como moça, realmente adorável. E ela não é como uma hipster pretensiosa. O que não é o que eu pensava. Mas eu fiquei tão intimidado com o quão legal ela é. Não é que eu não achasse todo mundo super legal, esses são literalmente todos os meus maiores heróis.

Havia alguém com quem você esperava entrar em contato para a série, mas que não apareceu no último segundo?

Ah, houve algumas pessoas que nos deram um “não” muito, muito legal. Harriet Wheeler do The Sundays. Foi muito difícil encontrá-la, e eu consegui, e ela me enviou um lindo e-mail, apenas dizendo que realmente não está fazendo esse tipo de coisa – especialmente não agora. Mas ela é muito grata e ama nossa música e todo esse tipo de coisa, então fiquei realmente emocionado com isso. E Mike Skinner, do The Streets, que é meu amigo. Ele foi o único que não participou! [Risos] Recebi um duro “Não” de Mike. Eu queria ligar para ele e dizer “Mike, o que diabos você está fazendo?!” Ele simplesmente não está interessado em falar de si mesmo.

Em sua entrevista com Bobby Gillespie, ele falou sobre como, agora que está ficando mais velho, há artistas que estão cantando coisas sobre jovens e ele simplesmente não tem interesse nisso. Você tem apenas 31 anos, mas já existe música que você ouve e pensa: “Ok, eu já estou velho demais para isso?”

Não na música. Para ser sincero com você, eu apenas consumo coisas que acho interessantes porque são realmente novas. É por isso que estou procurando coisas, então estou sempre olhando para o estranho, esotérico e jovem. Uma exemplo é a música Death Bed – há uma música [de Powfu] com um sample de beabadoobee, que está na nossa gravadora Dirty Hit – um grande sucesso agora. E venho monitorando isso como um dos drivers criativos de nossa gravadora, monitorando isso no TikTok, que é um dos grandes drivers que foi descoberto agora. E então metade do conteúdo do TikTok, sinto não é apropriado para mim. Tipo, que eu não deveria estar assistindo a isso, parece que são apenas adolescentes se sexualizando, e eu me sinto como um pedófilo do caralho… Eu não preciso me envolver com isso.

Parece que as duas pessoas com quem você conversou que estão mais próximas dos dois pólos da sua identidade artística são Brian Eno e Stevie Nicks. E ambos deram alguns elogios muito legais: Eno dizendo que Love It If We Make It era o tipo de música política que ele desejava poder escrever, e Nicks lendo a letra de She’s American para você como poesia. Recentemente, me interessei pela ideia da síndrome dos impostores, da qual algumas das pessoas mais inteligentes e talentosas que conheço sofrem. Estou curioso, quando você tem seus ídolos absolutos dizendo coisas incríveis para você sobre suas músicas, a sua primeira reação é: “Isso! Eu sempre soube que era bom!” ou é “Oh, acho que os enganei”?

Ummm… [sopra os lábios]. Eu entendo completamente a ideia da síndrome do impostor. Mas é ativo comigo quando estou tentando criar. Não sei se olho para as minhas coisas antigas e falo: “Isso foi falso”. A síndrome do impostor funciona mais como, bem, você tinha algo que não tem agora. Você tinha uma vibe que você não tem mais… isso era porque você era jovem… você entende o que eu quero dizer? Eu realmente nunca estou olhando para as minhas coisas e desvalorizando-as. Tem mais a ver com olhar para a porra de um piano e dizer: “Eu não sei tocar piano! Que porra eu estou fazendo! Quem eu quero enganar?” Como eu estava dizendo para Stevie, você olha para esses artistas virtuosos e pensa: “Não posso fazer isso, sou literalmente um vigarista”. Então acho que às vezes você se sente meio inadequado. Mas esses momentos foram incrivelmente válidos, sim… Eu acho que Brian Eno expressando que eu era capaz de fazer algo que ele não fez, essencialmente – ou havia feito – foi um momento real para mim. Mas foram obviamente os dois elogios mais incríveis que eu já tive. Fleetwood Mac são como deuses completos entre as bandas. E Brian Eno, desde os 13 anos, é como meu herói.

Adorei a letra de Give Yourself a Try no último álbum, onde você pergunta: “O que você diria para o eu mais jovem?” Sei que não passou muito tempo desde que você escreveu isso, mas estou curioso se você diria alguma coisa que aprendeu nos anos seguintes ao Matty.

Eu não sei, cara. Eu acho que essa frase é meio engraçada, porque é a mesma coisa que toda a ideia do álbum, que é que eu estou sempre procurando algum tipo de resolução. Estamos sempre à procura de um final agradável, ou de um destino, ou chegamos ao local e conseguimos o que queremos. Eu acho que esse disco realmente fala, tipo, não é assim que é a vida, sabe? E é assim que é – você espera as coisas, mas a realidade é uma versão chata disso.

Então, você diria para ele parar de procurar finais?

Sim, suponho que sim.