WAKE UP! A trajetória de Greta Thunberg até a The 1975

20 de agosto de 2018. Uma jovem de 16 anos falta o colégio e vai sozinha até o parlamento sueco, munida apenas de um cartaz com o seguinte dizer: skolstrejk för klimatet! (greve escolar pelo clima, em sueco). Menos de um ano depois, ela movimenta 1,5 milhão de estudantes de 100 países na marcha #schoolstrike4climate. Esta é Greta Thunberg, e assim ela dá início a um trabalho social que em pouco tempo já rendeu diversas controvérsias, discursos em grandes fóruns internacionais e até uma indicação ao prêmio Nobel. Na última quarta-feira (25), ela se aventurou em um caminho ainda não explorado, sendo a voz da faixa de introdução do novo álbum da banda inglesa The 1975. Uma parceria necessária, urgente e que não faria mais sentido acontecer nesse momento.

A ATIVISTA 

De acordo com informações do jornal EXAME, Greta é filha do ator sueco Svante Thunberg e da cantora de ópera Malena Ernman. A jovem é portadora da Síndrome de Asperge, condição que ela faz questão de exibir na descrição de suas redes sociais. Aos 11 anos, desenvolveu um quadro de depressão, parou de falar e até de comer. Em dois meses, perdeu dez quilos. Pouco tempo depois, a jovem foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo e mutismo seletivo (DSM-IV), um transtorno psicológico caracterizado pela recusa em falar em determinadas situações, mas em que a pessoa consegue falar em outras.

Ela se mostra indignada com o fato das pessoas considerarem a mudança climática uma ameaça existencial, mas seguirem suas vidas sem efetuar mudanças. E o  linchamento virtual, obviamente, já é parte do dia-a dia de Greta, um reflexo do descrédito à vozes femininas (e jovens) frente a problemáticas sociais. Mas isso parece não abalar Thunberg. Ao secretário-geral da ONU, António Guterres, ela discursou: 

“Algumas pessoas dizem que eu deveria estar na escola. Algumas pessoas dizem que eu deveria estudar para me tornar um cientista do clima para que eu possa “resolver a crise climática”. Mas a crise climática já foi resolvida. Nós já temos todos os fatos e soluções. E por que eu deveria estar estudando para um futuro que em breve pode não existir mais, quando ninguém está fazendo nada para salvar esse futuro? E qual é o objetivo de aprender os fatos quando os fatos mais importantes claramente não significam nada para a nossa sociedade?”

Colocar a jovem como fantoche do ativismo não parece uma alternativa lógica. “Talvez a imagem mais memorável da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP24), tenha sido a da estudante @GretaThunberg”, disse a BBC. Em março, foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz por três deputados noruegueses, para quem “o gigantesco movimento que Greta pôs em ação é uma contribuição muito importante para a paz mundial”. Ela também foi considerada a mulher mais influente do ano na Suécia e um dos 25 jovens mais influentes de 2018.

O ENVOLVIMENTO COM A THE 1975

Apresentando trabalhos cada vez mais políticos, The 1975, conhecida por seu mistério acerca de lançamentos, reativou as redes sociais com a mensagem “Acorde”, seguida por uma nova faixa auto-intitulada nas plataformas de streaming.

Pela primeira vez, Healy não toma as rédeas da mensagem, em seu lugar, Greta Thunberg traz uma narração recortada de suas palestras mundo afora. O resultado é nada menos do que tocante. Em menos de 5 minutos, uma instrumental melodiosa acompanha uma história apocalíptica, seguindo o estilo cinematográfico pelo qual a estética da banda é conhecida. Mas não há espaço para ficção aqui, é tudo muito real e ansioso. 

Em meio a uma turnê mundial, Matty e George se encontraram com Greta em um estúdio de Estocolmo, após se apresentarem no Festival Lollapalooza. E de lá saiu o inimaginável, uma colaboração entre uma banda e uma ativista, uma parceria corajosa. Eles tomam riscos – a ativista, ao tentar se fazer ouvida entre um novo público e muito provavelmente ganhar novos críticos, e a banda, ao fazer um posicionamento forte e inovador, arriscando o investimento emocional de alguns fãs que ainda não acordaram.

Na review da revista Telegraph, é apontado que o lançamento chegou no dia em que o Reino Unido acordou com um calor sufocante, preparando-se para temperaturas recordes. E também com uma nova secretária do meio ambiente, Theresa Villiers, não tão amigável com as questões climáticas. “Um cenário não tão intrigante para o retorno de uma banda indie. Mas a maioria das bandas indie, não são The 1975”. Em um momento tão desesperador, onde muitos jovens buscam a música como distração, a banda se apoiou em um exemplo jovem de mudança e esperança. Ao dizer que “todos nós devemos fazer o aparentemente impossível”, Greta foi colocada como “radical”, talvez ela seja, e talvez precisamos ser também. Não é sobre caos civil, é sobre harmonia e ação, e promover isso efetivamente, como a The 1975 deixa claro, tem sim seu caminho na música.

Ouça ‘The 1975’: https://youtu.be/xWcfzAfuFyE






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