Notas sobre ‘Notes On a Conditional Form’

Há um ano, a The 1975 preparava o solo para o que viria a ser a etapa mais ambiciosa e vanguardista de sua trajetória artística. Com um álbum aclamado universalmente, dois BRIT Awards em casa e mais de 60 shows depois, a banda está pronta para recomeçar este ciclo. Trabalhando em um ônibus-estúdio, os meninos já começaram a revelar pistas e ideias sobre a segunda parte da era ‘Music For Cars’, o extenso e antecipado ‘Notes On a Conditional Form’. Mesmo que o projeto ainda seja um mistério em muitos aspectos, podemos reunir várias informações sobre o que vem por aí.

Conceito e atmosfera

Apesar do ar de “to be continued…” no final de ‘I Always Wanna Die (Sometimes)’ – faixa que encerra o último álbum – o irmão caçula de ‘A Brief Inquiry Into Online Relationships’ parece não ter puxado nada dele. Algo confirmado desde o começo da divulgação do novo trabalho, é de que ele não será conectado com a primeira parte da era. Portanto, esqueçam a ideia do eu-lírico em reabilitação na era digital. ‘Notes’ promete trazer a The 1975 de volta para a casa, como um reencontro familiar, uma espécie de estudo do passado para entender o presente (e o futuro). A estética foi descrita por Matty como, “pessoal, noturna e cinematográfica”.

Em termos de sonoridade, podemos esperar extrema influência da cena britânica dos anos 2000, já que aqui se reforça o conceito inicial do ‘Music For Cars’: músicas que Matty Healy ouviria com os amigos na adolescência, no carro, provavelmente fumando maconha. O vocalista comentou em entrevista para a Rádio 101X, a inspiração do EDM (Música Eletrônica) para formação do disco, e recentemente, George compartilhou um trecho de seu trabalho com sintetizadores (algumas coisas nunca mudam). Obviamente, isso não significa a perda do caráter eclético da banda, prova disso, é a possível faixa ‘Anxiety’, descrita como uma “música clássica”.

Momento da teoria: Na língua inglesa, a ‘forma condicional’ é usada para se especular sobre o que poderia ocorrer, o que pode ter ocorrido e o que desejaríamos que ocorresse. Esse tipo de uso é conhecido como “passado irreal”. CON-CEI-TO!

Tracklist

Muito já se conhece sobre a possível tracklist do novo álbum. Matty mostrou alguns títulos via Stories do Instagram, outras citou em entrevistas e uma delas até cantou acusticamente. Por enquanto, essas são as faixas sobre as quais temos informações, mas não podemos afirmar com certeza se estarão no disco (tudo sobre esse álbum parece mutável).

  • The 1975 (Versão NOACF) – A introdução obrigatória da banda muito provavelmente estará presente, claro, reinventada e ajustada. Em entrevista para a Rádio X-Posure, Matty discutiu sobre a faixa: “Essa faixa é como receber um conhecido depois de algum tempo e reconhecer a pessoa, mas perceber que algo mudou.”
    [Probabilidade de estar no álbum: Altíssima]
  • Frail State Of Mind – A música teve participação do músico Roy Hargrove na composição do seu instrumental. O trompetista faleceu em Novembro de 2018, porém a música já havia sido gravada, o que pode ser colocado no álbum como uma homenagem. Para a Dazed, Matty comentou sobre a faixa: “É como se fosse uma música de uma banda de garagem do Reino Unido, é triste, tipo uma coisa que a banda Burial faria, é sobre ansiedade social, você sabe, sair de casa. Eventos sociais normalmente são bons, mas odeio o período que antecede eles.”
    [Probabilidade de estar no álbum: Alta]
  • Anxiety – Em março de 2019, Matty falou sobre a música sobre a primeira vez: “Há uma peça específica de música, uma peça clássica no disco. O título é apenas “Anxiety”. Porque representa essa tensão. Todos nós temos ansiedade, não é? É 2019.”
    [Probabilidade de estar no álbum: Média/Alta]
  • You (por Tim Healy) – A música foi completamente composta e gravada pelo pai de Matty. Em entrevista para a Beats1, Matty revelou um pouco do processo de criação: “Ele [Tim] tocou essa música para mim quando eu tinha onze anos, ele escreveu quando eu tinha cerca de dois anos. Eu acho que se chama ‘You’, eu disse à ele: “Não, eu já tenho uma música chamada ‘You’, você não pode chamar essa de ‘You'”. Então ele está mudando o nome. É só ele [cantando]. É ele no piano. Eu, quando sou muito pessoal, realmente honesto, é quando recebo a melhor reação do público. Então apenas tento fazer as pessoas sentirem coisas, acho que ter meu pai cantando no meu álbum vai fazer isso.”
    [Probabilidade de estar no álbum: Alta]
  • 102 – A faixa acústica que os fãs já amam há anos, foi a primeira composição de Matty. Talvez possa entrar no álbum para reforçar a ideia de adolescência que ele explorará. Algo que nos deixa com um pé atrás em relação a faixa, é o fato dela ter sido vazada em 2016 e re-lançada na versão japonesa do ‘ABIIOR’, em 2018. Porém, a faixa ‘How To Draw foi lançada em uma versão especial do ‘ILIWYS’ e voltou com cara nova para o último álbum, então isso também poderia acontecer com ‘102’, é incerto.
    [Probabilidade de estar no álbum: Baixa/Média]
  • 28 – A faixa é um instrumental da época da banda como Drive Like I Do. Foi tocada no último show da turnê ILIWYS, representando, de acordo com Matty: “O fim de uma era”, algo que combinaria com o fim da MFC. Ao ser perguntado se a produção estaria no ‘Notes’, Healy apenas respondeu um tweet com “Está”.
    [Probabilidade de estar no álbum: Média]
  • Playing On My Mind – Pouco se sabe sobre esta música, ela foi citada apenas uma vez, em uma entrevista para a NME: “Há ‘Playing On My Mind’ [no NOACF]. É só eu me perguntando muito para mim, tentando descobrir coisas.” Um trecho da música: “Could I play Batman. Will I be a fat man?”.
    [Probabilidade de estar no álbum: Média]
  • Gökotta – Palavra do sueco que significa: “acordar mais cedo para ouvir os pássaros cantando”, segue a ideia de Matty de usar palavras sem tradução para o inglês como títulos, assim como Petrichor, no último álbum. Em seu Twitter, ele postou um print de uma demo com o título da música e explicou seu significado.
    [Probabilidade de estar no álbum: Alta]
  • The Birthday Party – Provavelmente o primeiro single do álbum, a música já tem até um pôster de divulgação, postado nas redes sociais da banda. Sobre a canção, Matty revelou para a Dazed: “Eu ia fazer uma música que descrevesse a sensação de “estar em uma festa na casa de amigos aos 20, 25 e 29 anos”. Mas então percebi que não preciso fazer isso, só preciso descrever como é agora, porque minha carreira tem sido basicamente estar em festas na casa de amigos aos 20, 25 e 29 anos.”
    [Probabilidade de estar no álbum: Alta]
  • Jesus Christ 2005 God Bless America: Tocada acusticamente em algumas sessões de rádio dos EUA, a música vem sendo antecipada desde 2017, como uma faixa do (até então álbum) Music For Cars. A música discute o relacionamento de Matty com o cristianismo e a bissexualidade.
    [Probabilidade de estar no álbum: Alta]
  • Plastic Boyfriend – Descartada de todos os álbuns da banda até agora, Matty revelou em entrevista que está tentando “encaixá-la no ‘Notes'”. Apareceu pela primeira vez em 2012, em um tweet da banda: “My camera loves you. You’re it’s girl most in demand. You be my lipstick outline. I’ll be your plastic boyfriend”.
    [Probabilidade de estar no álbum: Média]

Data de lançamento

Um assunto delicado. O álbum já se tornou piada nas redes sociais por constantemente ganhar datas que sempre são antecipadas. No momento desta matéria, o primeiro single está previsto para as primeiras semanas de agosto, já que os meninos querem iniciar a divulgação do novo disco antes da apresentação como headliners do Festival Reading & Leeds, no dia 23 de agosto. O álbum, porém, deve chegar entre setembro e novembro, visto que banda estará em turnê pela Europa, Ásia e Oceania, nos meses anteriores.






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