THE 1975: “Provavelmente seremos a maior banda do mundo… Por um tempo”

“Eu vou fazer uma massagem, trabalhar no meu pescoço” suspira o vocalista do The 1975 Matty Healy no telefone. Ele está no backstage do Brixton Academy, se preparando para a terceira noite esgotada no local, mas ele está sofrendo com um pescoço “fodido” depois dos dois primeiros shows. Um resultado de muito bater de cabeça? O peso de seu cérebro sempre ativo esmagando o resto do seu corpo? Não, é apenas “muito balanço de cabelo do vocalista” ele explica.

Na noite do primeiro show em Brixton, foi anunciado que o segundo álbum da banda ‘I Like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It’ estava em primeiro lugar. Dois dias depois, eles conseguiram o mesmo nos Estados Unidos, onde eles venderam a mesma quantidade de cópias do álbum que o primeiro álbum vendeu em 26 semanas. Conquistas realmente impressionantes.

Parabéns pela primeira posição. Como vocês se sentem estando no topo das paradas no Reino Unido e nos Estados Unidos?

Matty: “Eu sei, certo?! É muito empolgante. Parece surreal no sentido mais verdadeiro porque eu não consigo imaginar uma criança no Kentucky sentada lá, ouvindo nosso álbum, então ainda é uma coisa estranha para mim. É muito modesto e eu acho que isso significa que eu estava certo ou que as coisas em que eu acreditava no álbum realmente funcionaram, o que obviamente me deixa muito orgulhoso. Eu realmente acreditei nesse álbum.”

O vídeo de The Sound mostrou algumas mensagens de ódio que as pessoas tem com The 1975. Você sente que vocês ganharam as pessoas?

“Isso foi mais para referenciar a cultura que cerca nossa banda e o tipo de conversa divisionista. Eu não tive nenhum tipo de redenção. Eu não vou me reerguer das cinzas. Eu realmente nunca prestei muita atenção para o que era dito sobre mim. Eu acho que as pessoas tem o direito de terem suas opiniões, não?”

Como vocês comemoraram as novidades?

“Eu não comemorei, no sentido de fazer festa. Nós estávamos muito focados nos shows [de Brixton] e é um set muito, muito longo. Eu tenho passado tempo com meu irmão, também, quem eu não via há algum tempo. Ele tem 15 anos. Eu na verdade acebei indo para casa e jogando FIFA com ele até as 2 horas da manhã. E então fui para cama. Eu dormi debaixo de uma toalha porque eu não tinha outro edredom. Aquela noite que nosso álbum ficou em primeiro lugar, eu dormi debaixo de uma toalha.”

Apenas outros 15 artistas ficaram em primeiro lugar no Reino Unido e nos Estados Unidos simultaneamente, incluindo The Beatles, Stones, Led Zeppelin e mais. Como você se sente sendo parte desse clube?

“Eu acho que isso significa que nós somos parte da história agora. Isso é algo, não é? É uma conquista que veio do nada. Eu não sei na verdade. Eu acho que… é… quero dizer… é. O que eu posso dizer? É incrível. Um álbum numero um nos Estados Unidos é uma estatística que você ergue apenas para superestrelas. É uma coisa estranha para se pensar e tentar entender.”

Vocês serão a maior banda do mundo agora?

“Provavelmente. Por um tempo. Eu não sei, talvez. Eu sei que nós temos potencial para ser. Vamos esperar? Nós daremos uma chance. Nós obviamente estamos dando uma chance, não estamos?”

Você falou antes do álbum ser numero um como seria legal ser Numero Um porque não é o tipo de álbum que vira Numero Um. Isso é prova de que a banda não precisa se conformar ou manter as coisas seguras para ter sucesso?

“Eu acho que isso representa isso um pouco, independentemente de se eu quero isso ou não. Tem um título estranho, é particularmente longo, é de uma banda que não teve muito sucesso com os singles. Não está no papel algo de que muitas pessoas vão fugir, mas eu acho que é um testamento do que eu sinto que colocamos muito amor nisso e eu realmente tenho sentido muito amor voltado disso num jeito que eu nunca senti antes. Eu realmente sinto que entendi pela primeira vez. Eu sinto que eu tive uma carreira bem mal entendida. Esse álbum é bem encharcado com a minha identidade, é meio que tudo que eu sou. Então ser aceito me faz sentir muito aceito.”

Você não quer que isso represente que as bandas estão fazendo algo interessante então?

Não, eu quero, eu acho. Eu só não quero que isso provoque ambivalência nas pessoas. Isso é a pior coisa que você pode fazer. Eu acho que existem diversas bandas que fazem isso, seja por tocar o “seguro” ou não serem boas o suficiente. eu acho que eu falei sobre meu desejo de mais profundidade no contexto da música pop, e quando eu digo música pop eu quero dizer música pop que desvia de onde estamos culturalmente, nas paradas. Eu não quero que tudo seja sério, mas você deveria acreditar em tudo que você ouve. E é isso que eu gosto! Eu gostaria de ligar a rádio e acreditar em todo mundo. Em vez de entender que não é uma forma de expressão. Que não é alguém realmente se expressando. É uma ideia, é um modelo, é uma coisa que foi projetada… Eu não sei. É chato. Eu quero acreditar em todo mundo. Droga, eu estou falando como se estivesse tentando ser James Brown ou algo assim, mas você sabe o que eu quero dizer. Parece uma coisa pretensiosa dizer isso quando eu estou usando palavras como “crença” e “verdade”, mas eu só quero que existam muitas convicções. E você pode fazer isso com música pop decente. Existe, mas pouco.”

Vocês tocaram dois de seus cinco shows em Brixton até agora. Como tem sido tocar um set tão longo?

“Oh, você sabe, é bem difícil. Eu nunca fiz um set longo assim. Fisicamente, é difícil. Emocionalmente, é bem catártico. Eu sinto que eu estou realmente expondo o que eu queria fazer no palco. Obviamente há os medos de ser um pouco indulgente e é um set bem longo,mas então, é o que o álbum fala. Existem muitas coisas dos EPs lá e muitas coisas do nosso novo álbum. Eu estava preocupado sobre isso ser um pouco indulgente, mas então eu percebi que eu não estou fazendo nenhuma indulgência. Eu estou fazendo um isso porque eu sei que nós precisamos expressar quem nós somos como banda e nós deveríamos fazer isso para nosso fãs. Obviamente nós não vamos fazer isso no [festival] Reading ou nada do tipo, isso seria loucura. Mas nós sempre vamos manter isso bem longo.”

A produção no show faz isso parecer mais íntimo, porque é uma grande produção em um local pequeno. Qual era a intenção?

“É isso que eu gosto. É por isso que nós queríamos fazer esse tipo de coisa – para que parecesse maximalista e íntimo. Isso é uma palavra, maximalista? Agora é. Eu queria que fosse como “Close Encounters”, onde tem uma verdadeira presença impositiva, como uma coisa na sua frente tão grande que é quase alienígena. Eu fico contente que você tenha gostado tanto, foi a banda que nós somos agora e nós fomos bem específicos sobre querer que isso representasse o álbum. Eu acho que existe tanta atenção aos detalhes no álbum e tanto amor no álbum que nós queríamos que isso fosse realmente poderoso ao vivo. E eu acho que especialmente para os nossos fãs nessas duas noites, isso foi o que nós queríamos alcançar. Foi bem poderoso para nós.”

Como os shows irão mudar para os festivais e futuros shows maiores?

“Eu sempre tenho que aceitar essas coisas como elas vem. Eu não quero ir a um festival e ver uma das minhas bandas preferidas tocar todos os seus B-sides. Eu não gostaria disso. Não se encaixa no ambiente – quando você está num festival, você está lá para aproveitar. Então nós faremos o set que você espera, eu imagino – o grande tipo ‘nós estamos aqui, olha quantas músicas você conhece’. Eu estou esperançoso para ficar grande assim, será uma coisa boa, ter um destaque maior em festivais. Se nós formos os principais no Glastonbury ou ago assim, seria ótimo. Mas ainda está distante.”

Vocês se veem sendo os principais de algum festival grande nos próximos anos?

“Se o tipo de aceitação e animação desse álbum continuar, então por que não? Eu não sei. Eu aceitaria o desafio, sendo apropriado ou não. Eu gosto de ver sets de bandas que eram quase ninguém. Não os ninguém, mas você sabe quando Kings Of Leon foram os principais em Glastonbury no ‘Because of the Times’ e todos ficaram ‘hmm não sei’ e eles acabaram sendo incríveis? Eu gosto dessa ideia. Foals serão os principais em breve em algum festival [é o Reading & Leeds]. Esses podem ser momentos de definição.”

Com os numero um que chegaram, qual é o próximo objetivo da banda?

“Essa é uma questão bem óbvia e engraçada de se perguntar, só porque tem sido algo que nós temos falado o dia inteiro. Eu acho que eu posso ter tocado no assunto de quando nosso primeiro álbum saiu e eu tinha toda essa crise existencial ridícula onde eu ficava ‘Oh droga, eu nunca vou ser feliz, nunca, nunca, nunca, porque isso não me fez feliz’. Isso não foi o que aconteceu dessa vez porque nós tivemos a experiência, mas nós vimos a busca pelo numero um, não de um jeito comercial, mas de um jeito que faria justiça ao álbum. O desejo de ganhar o Numero Um, que nós sentimos que conseguiríamos, era realmente nosso objetivo. Por outro lado, era o que nós queríamos e agora que nós conseguimos isso, o que eu quero fazer? [risos] Eu vou canalizar isso em outras coisas. Eu vou enlouquecer em um vídeo ou vou enlouquecer nas próximas semanas e isso será minha próxima coisa a se fazer. Só não será uma conquista estatística tão grande como ser os próximos Beatles ou o que quer que seja.”

Fonte: NME
Leia a entrevista em inglês, na íntegra, no site nme.com.
(Março 2016)






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