14 coisas que aprendemos com o The 1975

Esse mês o The 1975 conquistou o primeiro álbum número um nos Estados Unidos, com o descaradamente ambicioso I Like it When You Sleep, for You Are So Beautiful Yet So Unaware of It. Não foi fácil: a banda passou três anos em turnê constante, enquanto o vocalista Matty Healy lidava com depressão, relações quebradas e problemas com drogas. Ele canta sobre tudo isso, acompanhado por sintetizadores e pop-funk dos anos 80. A banda não se conteve enquanto passava um tempo com a Rolling Stone para um perfil recente. Aqui estão alguns dos maiores destaques.

A banda é altamente influenciada pelo emo
Matty Healy é uma enciclopédia de bandas obscuras dos anos 90 e começo de 2000, incluindo Joan of Arc e American Football. “Eu nunca fui, tipo, um cara super legal, andando-e-transando-numa-jaqueta-de-couro tipo de adolescente,” ele diz. “Eu estava ouvindo Bright Eyes bem neuroticamente. Ele era tipo o Dylan da época.”

Mesmo que não seja óbvio, a banda ainda enxerga o gênero como uma grande influência. “As pessoas se identificam, essa coisa meio emo,” diz o baterista George Daniel. “É o novo emo. Se você pega a palavrava emo, em seu real significado, que veio de música emocional, e não da mistura de pop-punk sem noção. Era só uma classificação de música rock emocional que surgiu numa época. O que significa que estava no limite e muito disso era super ridículo. Abordava coisas tipo depressão e falavam de relacionamentos. Nós nos conectamos com nossos fãs num formato extremo. Não acho que isso seja um reflexo de uma conexão com aquele mundo musical, de forma alguma. O tribalismo, e os fãs sentem que nós somos deles.”

Outra grande influência nas letras de Healy: The Streets
“A maior influência lírica para Matty sempre foi Mike Skinner,” diz Daniel sobre o rapper inglês, mais conhecido como The Streets. “Ele era alguém escrevendo, basicamente, sobre a cena da classe média em que as pessoas estavam envolvidas com bandas de garagem: eles eram aqueles que queriam ficar em casa e fumar maconha. Era a narração social, que o Mike Skinner sempre teve, que foi uma grande influência.”

Healy não tem certeza de que deveria estar no Twitter
No Twitter, Healy já irritou fãs de One Direction e admitiu usar o dinheiro da merch da banda para comprar maconha. “Uma coisa que sinto dificuldade é que você tem esses seguidores. Tem tudo aquilo de ‘fique na sua’, eu sei que sou um pop star e eu escolhi meu caminho. Será que continuo com o que sei ou defendo as coisas que eu acredito e dou uma voz à elas, e esperançosamente tento dar poder aos jovens, ou será que é arrogante eu pensar que posso empoderar as pessoas, o que devo fazer? Será que devo calar a boca? Sabe o que quero dizer? Na maior parte do tempo penso que seria isso que eu deveria fazer. Eu realmente tenho dificuldade com isso.”

Mas ele não tem medo de olhar o que os fãs falam dele na internet
O cantor sabe o que as pessoas falam: “Eu acho que [o assunto comum] é que eu sou meio detestável, mas bem sincero. Estou feliz com isso. Você pode dizer para eu parar de lamber as coisas ou pensar que sou o Messias. Mas você não pode duvidar da minha sinceridade. Não pode duvidar que sou apaixonado pelo que realmente me importa e invisto no que faço.”

Eles queriam dobrar o excesso, e tirar sarro das críticas, com o novo álbum
“Toda crítica, todo elogio, toda conversa entorno do primeiro álbum foi incluída e foi exagerada,” diz Healy, “sejam as acusações de eu ter engolido um dicionário. Tem mais emo. As partes pops são mais pops, as partes dos anos 80 são bem anos 80. É como um filme do John Hughes. É como uma destilação de tudo que precedeu, então é uma das coisas que tenho muito orgulho.”

Healy não tem vergonha do uso de drogas no passado
“UGH!” é sobre parar de usar cocaína (“Ei garoto, pare / De andar pela sala usando os rostos de outras pessoas / Como um espelho para você”). “Eu não estou mentindo: sou de um cenário de classe média alta de Cheshire, e estou numa banda que está envolvida em tudo, desde grandes festivais e moda, nos últimos três anos,” diz Healy. “O grupo social em minha volta se envolve com cocaína.”

Healy está confortável discutindo sobre seu passado com cocaína e heroína — mas entende porque seus colegas no pop não são tão abertos sobre o uso de drogas. “Acho que é porque eles ainda não tem a infraestrutura. Suas carreiras não são baseadas em fragilidade e vulnerabilidade. Eles não tem fãs que dão completamente o benefício da dúvida. Então seria, provavelmente, uma ideia bem assustadora para eles. Mas eu estou bem seguro aqui. Eu vivo, basicamente, no mundo do The 1975 e não irei machucar ninguém.”

A banda existe por mais de uma década, com nomes como Drive Like I Do e The Slowdown
Mas levou bastante tempo para que eles encontrassem o seu som. “Nós não podíamos ser presos e assinar com uma gravadora quando tínhamos 17, 18,” diz Healy. “Quando chegamos aos 23, 24, nós tínhamos todas essas canções e não podíamos abandoná-las. Quando lançamos nosso álbum, foi como nossos maiores hits.”

Seu single funky “Love Me” tem como alvo a cultura das celebridades que Healy não quer fazer parte
“É todo esse negócio de ‘squad goals’, essa aspiração, hierarquia social de alto escalão. A coisa toda é meio que fabricada. O negócio de aspirar por pessoas em fotografias costumava ser reservado para, você sabe, o Grammy, e Paul Simon ao lado de George Harrison que estava ao lado de Bowie, e seria porque eles fizeram alguma coisa! Sua arte tinha elevado o status social e você gostaria de estar naquele grupo de, tipo, pessoas de elite. Enquanto, agora, as pessoas só estão fazendo porque as outras pessoas são famosas. Estão fabricando isso, amizade por fotos.”

Healy não respeita completamente artistas que não escrevem seu próprio material
“Quando as pessoas vão ler os créditos, todas as músicas são escritas e produzidas por mim e George. Cada nota. Nós produzimos. É como aquilo que Chris Rock disse, sobre querer crédito pelas coisas que você fez, tipo, ‘Eu tomo conta dos meus filhos,’ receber créditos pelas coisas que você tem que fazer. A arte é a culminação de tudo. Pessoas como Michelangelo, em adição aos artistas, eles eram químicos, alquimistas que faziam sua própria tinta. Você não pode ter apenas uma boa voz. Até que eles sentem com um instrumento e cantem uma música que escreveram e compuseram sozinhos, eu me recuso a ficar realmente comovido por eles.”

Mas quando confrontado com a ideia de que artistas, como Frank Sinatra, não escreveram seu próprio material, Healy muda seu tom. “Olha,” ele diz, “agora sinto que o que eu disse foi estúpido.”

Healy teve um colapso no palco em Boston em 2014
Esse cantor chorou durante a apresentação, dizendo à uma fã “Você não tem o direito de me amar”. “Eu estava usando muitas drogas, com muita ressaca toda hora, bebendo muito, problemas com garota, ficando mais famoso, todas essas coisas. Antes de eu subir no palco, estava numa espiral decrescente. Foi tipo, ‘Foda-se. Se você quer esse personagem, te darei isso’. Senti que, se eu quisesse chorar, eu iria chorar. Queria ver como seria ser realmente indulgente, como uma verdadeira tragédia. Foi um pouco legal, na verdade. Acho que eu aproveitei. Eu não faria de novo. Não foi justo com as pessoas que estavam lá.”

Estar constantemente em turnê por três anos foi mais difícil do que eles pensaram que seria
“Começando em janeiro do ano passado nós percebemos como realmente nos afetou,” diz Daniel sobre o pequeno hiatus que a banda teve após promover o lançamento de 2013. “Nós estávamos apenas esperando isso se solucionar quando terminamos a turnê. Era tão fácil se estressar e se sentir miserável. Fomos deixados com essa crise existencial sem noção nos rodeando em tudo que fazíamos. Você percebe que são três anos depois em sua vida e não sabe o que aconteceu. É uma coisa bem ingenua de se falar, nós estávamos todos malucos por um tempo. Eu não me sentia qualificado para fazer um disco. Não me sentia pronto e não sentia a convicção de ter o trabalho feito.”

Healy comprou uma casa Vitoriana em Londres
“Se tornou uma sede para todos nós. É um bom lugar. Só estive lá por alguns meses. Me abateu um pouco, é um espaço diferente. Estou com muito orgulho, é a coisa mais adulta que eu já fiz. Mas eu ainda tenho um colchão no chão.”

Healy gosta de sua persona “sexualmente bizarra”
“Eu trago um autoconhecimento à isso. Não estou, tipo, Vanilla Ice em sua glória e sem camisa. Quando começamos a crescer, e a dinâmica começou a se apresentar com as garotas gritando e eu, isso nunca tinha acontecido. Mas você não pode evitar. Então, quando você faz algo e elas gritam, você precisa aproveitar de alguma forma.”

“É sobre confiança. Não tem jaqueta de couro ou relevância cultural ou sair por aí transando, passando pela minha cabeça. É a busca pela forma disso e é algo real, que está profundamente comigo. Tenho muita sorte porque isso é paralelo à essa apreciação incrível. ‘Isso que eu devo fazer’, é como um pedido para mim.”

Healy é avoado e “obcecado por mulheres”
“Eu acho muito difícil me perder no momento,” ele diz. “Eu costumava ser, tipo, um jovem muito distraído, coisa assim. Costumava mudar para a próxima coisa constantemente. É por isso que fumo tanto, e a droga é algo tão presente na minha vida, uma coisa on-e-off. E minha relação com mulheres e coisas assim, é quase como se eu estivesse procurando por Deus nessas situações. Sou obcecado por mulheres. Não de uma forma misógina. Não vou de mulher para mulher toda hora. Eu dormi com mulheres, tipo, muitas, como a maioria dos homens jovens. Sou obcecado por mulheres. E eu meio que procuro por Deus nas mulheres. Porque as mulheres são as coisas mais próximas à divindade, para mim. Aí está um quote para você, que inferno.”

Fonte: Rolling Stone
Leia a entrevista em inglês, na íntegra, no site rollingstone.com.
(Março 2016)






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