The 1975 festeja como se fosse 1985

Matty Healy está tomando vinho no backstage do Brighton Dome enquanto conversa sobre o próximo álbum do The 1975, com o título um pouco complicado I Like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It. “A única coisa que eu sabia era que eu queria que fosse uma evolução óbvia,” diz o vocalista. “Nossos CDs favoritos, especialmente os segundos álbuns, são sempre aqueles que são uma destilação do anterior. Então, a ideia era pegar tudo o que era bom e fazer com que sentisse como se fosse a única evolução natural que conseguíssemos.”

Certamente não há nada nesse novo álbum que espante os fãs da estreia autointitulada de 2013. E havia, afinal, muitos fãs. Um arrastão eclético pelas histórias de juventude, sexo e romance, estreou em primeiro lugar no Reino Unido, devidamente aumentando as vendas até platina e fazendo com que Healy, baterista George Daniel, guitarrista Adam Hann e baixista Ross MacDonald se tornassem estrelas nos Estados Unidos.

No entanto, enquanto aquele álbum intencionalmente ia de electro-pop até semi-rap no estilo de rua, as influências dessa vez mudaram para Scritti Politti, Peter Gabriel, Nick Heyward e até Johnny Hates Jazz, ao lado de Prince, Michael Jackson e Spiritualized. Para uma banda que cresceu nos anos 90, há certamente um gosto notável em artistas que coloriram a década anterior. Healy atribui isso à vontade do “sentimento daquela época — quando a música pop não era sobrecarregada de autoconhecimento e cinismo. Quando você tinha grandes álbuns pop, que eram permitidos a fazerem sucesso comercialmente.”

O cantor é intenso ao salientar a mudança na estética das novas músicas. O rosa neon e tons pastel das artes são ouvidos nas canções também, um chute contra a estética monocromática do primeiro álbum, em que a arte, vídeos, fotos de imprensa e roupas da banda eram todas pretas e brancas. “Foi uma das primeiras decisões que tomei,” ele explica. “Rosa era a coisa oposta em que consegui pensar, e essa regra definiu um vocabulário para que eu começasse a pensar em novas canções.”

Ainda há uma paleta lírica similar à estreia deles. Healy consegue fazer a conversa jovem cativante sobre “postar fotos na internet” e os perigos de namorar uma estrela do pop americana (isso será um rápido aperto, Taylor Swift), mas ele também deixou retido alguns filtros ao falar sobre dificuldades psicológicas, drogas, a depressão pós-parto de sua mãe Denise Welch e a morte de sua vó.

É o senso de aventura sonora que torna esse álbum fascinante, na verdade. Metade do material foi escrito no estúdio e isso evidentemente incentivou uma vontade de explorar. Dentre as 17 faixas nós temos tudo desde corais de gospel e órgãos até sons sintetizados, baladas acústicas e pop. A voz de Healy, entretanto, varia de punk até falsetes esquisitos.

Estreando uma seleção de novas músicas no palco naquela noite, a reação delirante que receberam sugere que os instintos evolucionários que ele escolheu foram provados certos.

Fonte: Q Magazine
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