MATTY HEALY: “Ninguém está pedindo para você inspirar uma revolução”

A estreia dos roqueiros de Manchester os trouxeram adoração teen e o topo dos charts. Enquanto se preparam para lançar o segundo álbum épico, o vocalista Matty Healy conversa sobre estrelato, drogas e Taylor Swift.

Amber Bain – também conhecida como The Japanese House – já havia iniciado seu set no Barfly em Camden quando uma pequena grupo sobe ao andar onde ela está tocando. Há um punhado de gente da Dirty Hit, sua gravadora, juntamente com três de quatro membros do The 1975, seus amigos de gravadora. Incluindo Matty Healy, o vocalista e líder do grupo, e o produtor dela. Eles encontram um pequeno espaço no canto de trás, e cabeças começam a virar. Em segundos, os três começam a receber olhares suplicantes, procurando por um abraço, um beijo no rosto. Guitarrista Adam Hann recebe menos. Baterista George Daniel é o próximo. Mas Healy é tão abordado como há uma fila de fãs aguardando sua bênção. Ele sorri. “Esse é o meu povo,” ele diz.

São apenas momentos, no entanto, antes que seja demais, e Healy e Hann fazem um sinal ao engenheiro de som para os deixarem ficar na área da mesa de som para desta forma poderem assistir ao show sem que sejam incomodados. Todos que estão cientes da presença deles continuam se virando, olhando com vários graus de ostentação, desde o mal disfarçado espreguiçar-se e virar até ao olhar descarado e sem perdão.

Com poucos minutos para o final do show, o manager do The 1975 decide que eles precisam sair antes da correria. O grupo sai em massa, e é instantaneamente perseguida por uma movimentação, uma multidão cinética. “Me sinto mal saindo cedo,” uma menina diz, tentando lutar por seu caminho até as escadas. “Mas eu preciso conseguir uma foto.” Um garoto, mais perto do grupo que está fugindo do que as meninas, grita de volta: “Rápido! Rápido! Me dê seu celular! Eu vou conseguir!”

Mas nenhum deles tiveram sucesso. Healy, Daniel e Hann entram num corredor ao lado e somem. No camarim da The Japanese House, Healy ri. Ele está acostumado com isso.

Ele tem que estar acostumado com isso, na verdade. Depois de mais ou menos uma década tentando serem estrelas do pop, Healy e seus colegas de banda se tornaram algo genuíno. O álbum de estreia autointitulado foi #1 no UK no outono de 2013, é uma mistura habilidosa de mais estilos pop e técnicos do que você poderia imaginar – um pouco emo, um pouco de R&B, um pouco de funk pop, um pouco das ruas – surpreendendo uma audiência jovem pela qual as letras dilaceradas de Healy devem ter sido um passo dramático até a vida adulta. Mas você não precisa ser uma criança para gostar deles: The 1975 foi uma banda que eu esperava odiar quando eu primeiro ouvi o álbum. Ao invés disso fui pego de surpresa pelo senso de ambição deles e a franqueza nas letras de Healy: ele não escreveu apenas sobre a vida de festas de um 20-e-alguma-coisa, mas também sobre as consequências das festas. Ele pode não ver a conexão, mas eu escutei algo em comum com meu outro compositor favorito, Craig Finn do The Hold Steady. Havia uma busca por emoção e clareza intelectual – nem sempre cumpridas, mas tentadas – isso parecia um mundo separado da maioria de seu pop contemporâneo. Então, dois anos atrás, eu o entrevistei pela primeira vez, e eu raramente já fui tão surpreendido pelo desejo de alguém falar tudo o que quer. Em um ponto eu tive que dizer que ele não deveria estar me contanto tudo aquilo, porque eu me sentiria na obrigação de imprimir, e iria afetar sua vida pessoal. Foi uma das raras entrevistas que você se vê fascinado na hora de transcrever.

E eu estou excepcionalmente entusiasmado sobre o segundo álbum – I Like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It, que sairá em fevereiro – o álbum que deve tornar sua já grande e calorosa fã-base em um número enorme e fervilhante de seguidores.

Algumas semanas antes do show em Camden, num dia quente em Los Angeles, com a temperatura passando dos 38°C, encontrei Healy e o produtor do álbum tocando algumas faixas do disco no estúdio. É um álbum panorâmico, um passo a mais de sua estreia. É terrivelmente comprido – mas Healy diz que é preciso capturar o que aconteceu com ele desde a última vez que escreveu as outras canções. Vai de Bowie-conhece-Gabriel arte-funk do vocalista, Love Me, até She Lays Down, uma balada acústica sobre a depressão pós-parto de sua mãe, de Ugh, uma estranha ostentação de música que é Healy refletindo sobre sua relação com a cocaína, até She’s American, uma música pop afiada sobre ser um cara inglês desejado por garotas americanas. É bom. Se esse é o álbum que determina se o The 1975 se transformará em U2 ou Big Country, eles apostaram tudo numa forma de resultado.

Sentado no terraço do estúdio, tragando um baseado terrivelmente forte, Healy considera seu desejo de não ser apenas uma estrela, porém uma grande estrela, do tipo ainda falada 30 anos depois. “Ás vezes eu sinto medo de demonstrar isso,” ele diz. “Mas não há espaço para pessoas tímidas, não quando tudo foi feito. A única coisa que sobrou para minha geração é fazer as coisas melhores do que foram feitas antes, e você pode fazer isso se quiser ser uma banda indie que finge não se importar para então não serem julgados por serem merdas.” Ele não mudou sua metodologia em entrevista, evidentemente.

A parte estranha é que Healy não está achando que se tornar uma estrela esteja sendo fácil, ou tão satisfatório. Levaram 10 anos para acontecer, com o grupo se movendo numa sucessão de identidades – Drive Like I Do, The Slowdown e mais – sendo rejeitados por gravadoras com a maioria das músicas que se tornaram sucessos após serem lançadas como The 1975. E aquele grande atraso significou que quando ele se tornou uma estrela, não superou suas expectativas. “Eu pensei que seria tipo: ‘Eu não sou a pessoa que costumava ser! Agora eu posso entrar num lugar e conversar com todas essas pessoas que três anos atrás eu estava olhando e me masturbando num cubículo!’” Ao invés disso, ele diz, tornou-se um mundo de consumo – a inevitável bebida e drogas, mas também consumindo a presença de outras pessoas famosas. “Eu comecei a ser imerso em mundos e hierarquias sociais que nunca havia experienciado antes. Tantas grandes estrelas pop vieram e quiseram ficar com você ou serem seus amigos, e você começa a consumir isso.”

E quando ele conhecia pessoas que ele admirava, ele tinha o dom de envergonhar a si mesmo – quando finalmente conheceu seu herói David Byrne no backstage de um festival, tudo que ele conseguiu fazer foi derrubar um pacote de Haribo em seus pés e soltar um “Desculpa, amigo!”

A subida até a fama, e a pressão que foi colocada em Healy, são temas recorrentes no novo álbum. Não de uma maneira Thom Yorke Deus-Eu-Odeio-Estar-Em-Uma-Banda-De-Rock – Healy não consegue evitar ser engraçado – mas em um senso de que ele está colocando um microscópio em sua vida e a deixando desejável. Na balada Somebody Else, ele confessa não querer mais uma amante, mas ainda imagina o corpo dela com outra pessoa; em A Change Of Heart – escrita em seu pior momento, mais cedo esse ano – ele é dito “Eu estive preocupada com você ultimamente / Você está péssimo / E fede um pouco.” E em The Ballad Of Me and My Brain, talvez uma das canções mais esquisitas gravada por uma banda com fãs que gritam durante um show, ele passa quatro minutos tentando localizar sua psique. As pessoas que dizem que o The 1975 é somente mais outra boyband não poderiam estar mais enganadas caso afirmassem que Jeremy Corbyn estava planejando uma aliança com Ukip.

No último outono a atenção de outra celebridade o levou a outro nível, um jardim secreto da fama. Taylor Swift foi vista em um concerto do The 1975, e rumores foram abundantes sobre o par ser um item. Ele foi carregado para o mundo dela – “As coisas que a rodeiam são tipo Barack Obama. Eu me apaixonei por ela um pouco, mas todo mundo se apaixona pela Taylor Swift.” – e então descobriu, para seu temor, o que significava ter uma ligação com Swift. “O dia depois em que ela foi no nosso show, alguém me enviou um screenshot da E! News com a manchete ‘Quem é Matt Healy?’ aquilo me assustou. Eu não estou preparado para fazer parte daquele mundo e não estou preparado para ser julgado por aquele mundo.”

Isso tudo aconteceu quando o grupo estava próximo de terminar uma turnê que durou dois anos sólidos, em frente de públicos que estavam se tornando cada vez maiores e mais vorazes. Foi tipo, Healy diz, estar em “uma versão bem glamourosa de Dawn of the Dead. Ao invés de seguidos por zumbis, são crianças com iPhones. Haviam 100 crianças entre o ônibus de turnê e a porta do palco, enquanto estou de cueca e com ressaca. Então minha primeira reação com seres humanos é em uma situação ressentida e semi-vestido – ‘Matty! Matty! Matty!’ –  eu estava tipo ‘Eles nem se importam com a música! Eles só estão com os celulares para fora!’”

Healy se viu tropeçando numa crise, que chegou no dia 6 de dezembro, em cima do palco em Boston. “Havia problemas com uma garota,” ele diz. “Havia problemas de família. Problemas financeiros. Problemas com drogas. Eu me lembro de ouvir o público e ter uma crise de identidade. Eu pensei ‘Se vocês querem ver um show, eu vou lhes dar um show. Se vieram ver o bobo beber até adormecer, eu darei isso à vocês.’ Eu senti como se tivesse me tornado uma ideia e não uma pessoa.”

Em um momento uma fã gritou, “Eu te amo, Matty!” Ele está envergonhado com sua resposta. “O que eu disse para aquela pobre garota? ‘Você não tem o direito de me amar. Você não me conhece. Eu te amo, mas você não pode me amar.’ Jesus. Você consegue imaginar sua banda favorita gritando isso à você? Que babaca. Que coisa horrível de se dizer para uma pessoa que me ama de verdade.”

No final do show, Healy caiu no palco e se recusou a levantar. “George me carregou, porque eu continuaria lá, aparentemente. Eu só queria sentar lá e fazer algo que não poderia. Estava tudo embaçado e numa cor estranha: Eu lembro de tudo amarelo alaranjado.”

A reação mais fácil de se ter – e uma que nós vemos repetidamente quando membros de grupos com alarmantes fãs adolescentes passam por dificuldades, o oposto de estrelas conturbadas com fãs homens de meia-idade, como por exemplo Wilco do Jeff Tweedy – é dizer: aguenta, amigo. Você está numa banda. As pessoas te amam. Você está fazendo dinheiro. Crie coragem.

Healy também enfrenta o problema de ser julgado pela identidade de seus pais – atores Denise Welch e Tim Healy – e a presunção de que ele estava destinado ao sucesso do showbiz, apesar do fato deles serem regulares na TV com alguns amigos famosos, do que executivos de gravadoras. Mas isso é injusto; se Tweedy é intitulado ao benefício da dúvida, Healy também é.

A paixão dos fãs adolescente é uma das coisas que torna o The 1975 fascinante. A paixão deles, combinada com a franqueza de Healy, faz uma combinação explosiva. Ele diz que tem “medo de abordar problemas para parecer inteligente – síndrome de Sting” – mas ele também diz, “Eu tenho 450.000 jovens mulheres (seguindo no Twitter) e eu genuinamente acredito que o empoderamento de jovens mulheres é a coisa mais importante no mundo e levará a desconstrução da injustiça. Então o que eu faço com isso? Eu tento guiá-las.”

Como os fãs são, eles capturam cada palavra dele, mas às vezes essas palavras não são cuidadosamente pensadas. Ele é um patrocinador do British Humanist Association, e dedicadamente oposto a religiões organizadas. Anormal para uma figura pública, ele também incluiu o Islã em sua lista de religiões que ele não tem tempo. (“Eu assisti um filme sobre o Islã outra noite, com pessoas dizendo coisas do tipo ‘Sou Muçulmano e branco’ ou ‘Sou Muçulmano e sou americano’ ou ‘Sou Muçulmano e sou patriota.’ Você não via nenhum ‘Sou Muçulmano e sou gay’ ou ‘Eu costumava ser Muçulmano e agora estou bem’”), o que o causou problemas no Twitter em agosto do ano passado.

Ele tuitou: “Isis está cortando a cabeça de garotinhas e vocês querem desafiar uma perspectiva não-religiosa e humanista? Eu não compreendo o mundo de jeito algum.” Quando desafiado por uma jovem Muçulmana em uma conta de Twitter com tema do Harry Styles, ele respondeu: “Eu me recuso a ser ‘educado’ por uma conta de fã do Harry Styles.” De repente, pela internet, ele estava sendo acusado de ser Islãmofóbico e sexista. “Eu perdi minha paciência, e a paciência é coisa minha.” ele disse. “Foi como se eu saísse só de cueca. Eu realmente senti como se eu estivesse num palco sem as minhas calças.” Então por que ele fez? “O que eu, na verdade, estava dizendo era: não tente me educar sobre o Islã quando você tem 13 anos. Se você está me dizendo para ficar na minha, então fique na sua.”

Será que ele não vê que dizer que as jovens mulheres precisam se empoderar e depois as dizer para ficarem caladas quando discordam com ele é completamente contraditório? Sua expressão sugere que esse pensamento nunca o ocorreu. “Sim, e eu suponho que eles são,” ele diz, após uma pausa. “Eu posso não ser tão evoluído quanto eu gostaria de ser. Há estruturas naturais de pensamentos comigo que eu tenho muita vergonha. Eu não sou tão brilhante quanto eu gostaria de ser, não entendo tanto de gírias como eu gostaria. Eu estou aprendendo, e eu me irrito. Garotas jovens me assustam, as coisas que elas falam e perguntam.”

Mais tarde àquela noite eu jantei com todos os membros da banda. Hann é amável, porém quieto; Daniel é aberto e amigável; baixista Ross MacDonald é sarcástico e engraçado. E nessa dinâmica – Healy encara os outros três do outro lado de uma mesa redonda – você tem um ideia de como às vezes eles o vêem. Ele é provocado, gentilmente mas persistentemente, sobre seu egocentrismo – ele reclama sobre uma mulher que ele está convencido de que está o seguindo, e eles reviram os olhos; ele fala sobre sua necessidade de alugar um carro esportivo para o tempo restante que estarão em LA, e eles apontam que da última vez que ele fez isso custou à eles muito dinheiro pelo retorno de vários dias atrasados. É engraçado, e doce, mas também ressalta o fato que Healy é o líder do grupo e não fará de outra forma. Sem ele como o responsável pelas decisões, o para-raios, ele diz, “Nós não seríamos uma banda tão grande. Ou uma banda tão boa. Ou uma banda tão honesta.”

O paradoxo do The 1975 é que eles são duas coisas diferentes que não costumam acontecer na mesma embalagem: são uma banda arte-rock estranha que parece ser mais popular entre garotas adolescentes; são mais Japan do que Kajagoogoo. Suas influências e referências – Bowie, Gabriel, Talking Heads, The Blue Nile, The British Expeditionary Force, Prince e muito mais – é impecável, e uma das definições de um artista é alguém que alimenta sua própria vida em trabalho generoso, esta é a causa para Healy reinvidicar a si mesmo. Ele fala animadamente sobre o novo palco da banda nos shows, e a influência de artistas visuais James Turrell e Robert Irwin, e sobre como o novo disco é uma “cacofonia de ideias… Uma declaração musical fiel”, sobre traduzir “espaço sonoro e entrega e minimalismo” na música. E ele fala sobre sua responsabilidade de tentar dizer algo com suas canções: “Aquela nova música do Justin Bieber – ‘O que você quer dizer? Quando você balança sua cabeça que sim, mas quer dizer não’ – será que podemos parar de falar sobre garotas que não sabem o que querem? Podemos parar de falar sobre o vazio? Ninguém está pedindo para você inspirar uma revolução, mas inspire alguma coisa.”

O quão difícil isso pode ser, todavia, se torna claro quando Healy começa a falar sobre seu desejo de ser honesto, e sua responsabilidade com seus fãs jovens. “Muitas coisas que aconteceram comigo, eu não posso começar a falar com jovens garotas e garotos. Não posso falar com crianças sobre drogas.”

Espera aí. Há uma hora atrás você tocou pra mim uma música sobre seu relacionamento com cocaína! “Sim, mas…” ele diz, soando como um estudante culpado. “Isso é meio que…” ele pausa, momentaneamente e raramente desorientado. “Agora que você disse isso, eu penso que isso sou eu tendo uma atitude indolente com a cocaína. É parte do tecido social. É parte de sair. Eu não tenho mais um problema com cocaína.” – dois anos atrás, ele me disse que já foi viciado – “Essa canção é sobre eu ser irreverente quanto a cocaína: ‘Pare de rodar o local usando os rostos das outras pessoas como seu espelho.’” A irreverência é quase um estorvo num grupo com seguidores tão jovens. É incrível como ele ainda não foi crucificado no The Sun ou The Daily Mail, dado a sua completa falta de desculpa por gostar de drogas. Em junho, um vídeo veio à tona no TMZ mostrando ele fumando um bong na rua com um grupo de fãs em LA. A primeira reação de qualquer um foi: inacreditável, que tipo de tolo deixa ser filmado assim? Ele foi ver o Ed Sheeran, ele explica, e estava bebendo no camarim com outras celebridades. Depois ele foi à uma festa de lançamento de um álbum, onde ele estava tão bêbado, ele diz, “Eu fui um idiota com o Justin Bieber. Acho que ele tentou que me expulsassem algumas vezes.” Quando ele deixou a festa, praticamente inconsciente, ele foi recebido por um grupo de fãs que deram um bong. “Eu pensei, ‘Bem, eu não quero ser indelicado.’ Então eu fumei. Então percebi que as câmeras estavam lá. Eu pensei, no meu estado, quem assistiria isso? Me assistir fumando maconha? No dia seguinte eu vi os vídeos, e acontece que eu não apenas fumei. Eu fiquei em pé lá por uns 10 minutos. Não foi meu momento mais orgulhoso.”

Como ele está sujeito a dizer: jovem numa banda usando drogas – que surpresa! Mas se ele está sendo tão irreverente quanto a isso, transformando drogas em piada, ele não estaria glamorizando?

“Com toda música que pode ser acusada de romantizar esse comportamento, é sempre entregue com um profundo desdém do meu próprio comportamento. Mas eu sou um adulto, e eu posso falar sobre essas coisas. O negócio é, eu quero falar sobre o que aconteceu nos últimos três anos, e o que você acha que aconteceu com uma criança que adquiriu uma banda gigante? Tudo! Eu usei drogas, tive namoradas. Eu mudei! Eu não tenho medo de falar essas merdas.”

Esse é o negócio com Healy. Ele diz absolutamente tudo, às vezes se contradizendo de frase até frase. Ele inventa palavras – ele continuava a falar “imersiado” quando queria dizer imerso – e ele é grandiosamente, fabulosamente pretensioso. Ele deve ser um terror de se lidar – posteriormente, seu manager queria saber exatamente o que havia sido dito sobre sua vida amorosa, um inquérito que ele deixou pra lá; seu publicitário questiona se ele deveria o deixar falando por tanto tempo – mas meu Deus, ele é um esmagador de companhia para um escritor. Ele é uma estrela do pop, em toda sua honestidade e glória ridícula e insegura.

A banda toca em Newcastle O2 Academy essa noite e continuam a turnê pelo Reino Unido até 28 de novembro.

Os temas do novo álbum do The 1975
Um tema recorrente do segundo álbum, I Like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It, que sairá em fevereiro de 2016, é o estado de espírito de Matty Healy – isso surge repetidamente, no não-mais-anos-80 A Change Of Heart, na música pop animada Paris, e na notável The Ballad Of Me And My Brain. “Muitas de nossas canções são observações, mas isso é uma história,” ele diz. “Tem um senso de resignação nisso – depressão é parte do histórico da minha família. Uma crise de identidade, a desconstrução de relacionamentos e a luta com o consumismo – isso tudo ditou a narrativa.”

O alicerce do disco, no entanto, é If I Believe You – uma balada soul que a estrutura seria emprestada à Solomon Burke ou James Carr, porém polida com efeitos eletrônicos do que com Muscle Shoals Horns. Foi inspirado no amor pela música gospel de Healy e o baterista George Daniel, e tem parte de um coral gospel, o qual Healy diz: “Se eu tivesse cinco anos de idade, e meu pai dissesse, ‘Isso é Deus, isso é.’ Eu acreditaria em Deus até o dia de hoje.”

Estilisticamente, o álbum é mais abrangente do que o de estreia, assim eles fizeram soar mais focado e melhor editado, ambos musicalmente e liricamente. “Eu e George dizemos: ‘Quanto mais velhos ficamos, menos tocamos.’ Meu amor pela arte e arquitetura minimalista – as coisas que me interessei quando cresci – foram alimentadas à esse disco. Eu quero que as canções sitam-se como canções do The 1975, não necessariamente devem soar como nós. Veja Chris Martin – você pode colocar a voz dele em qualquer coisa e irá soar como Coldplay. Eu não quero isso: eu quero que se sinta como The 1975.”

Fonte: The Guardian
Leia a entrevista em inglês, na íntegra, no site theguardian.com.
(Novembro de 2015)






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