The 1975 em seus “10 anos de casamento” entre eles

Metade do The 1975 está tendo casos de ansiedade. Murmúrios de “eu não sei desenhar…” e “eu sou um lixo desenhando…” são abundantes. O vocalista – e o Robin Hood do expor seu próprio coração – Matthew Healy, junta sua banda de homens murmurando: “sentem-se e façam seus desenhos. Nós nunca podemos fazer uma divulgação divertida como essa, porque somos uma banda “séria”, então vamos lá.” A ironia não é perdida entre os quatro quando começam a trabalhar em seus autorretratos, comicamente amontoados numa mesa de piquenique, num estilo de volta à escola.

Quinze minutos antes, Healy podia ser escutado avaliando as poses de seus colegas de banda. “Por que vocês estão parados assim? Parece uma boyband,” ele diz, antes de se agachar para uma pose clássica de boyband dos anos 90. Eles são uma banda, às vezes, criticada por serem pretensiosos – um irônico discurso da imprensa hipster – sobretudo por causa do estilo de liderança do Matt. Porém, passar um tempo com o The 1975 é como participar de uma celebração da amizade deles. Eles descrevem seu relacionamento como “extensões de personalidades” e brincam com os “10 anos de casamento” entre eles. Diferentemente de outras bandas que conversam sobre serem “melhores amigos”, mas não agem como BFF (melhores amigos para sempre). Eu continuo a encontrá-los, todos juntos, durante o 2014 Auckland Big Day Out – desde Adam Hann e Ross MacDonald assistindo Arcade Fire, juntos no público enquanto tomam banho de confete, até Healy e George Daniel dançando e andando fora numa vigorosa noite com uma trilha sonora de Snoop Dogg. John Hughes ficaria verdadeiramente orgulhoso.

Para alguns, em seu país natal, Inglaterra, The 1975 são heróis – com o álbum de estreia em primeiro lugar, apoiados pelos The Rolling Stones e Muse, fãs explícitos como Ed Sheeran e Josh Franceschi do You Me At Six (ambos reclamaram das poucas nomeações da banda no BRIT Awards), assim como Ellie Goulding usando uma camisa da banda em seu Instagram. Mas com um sucesso monumental também há muitos incomodados, que foram, sem dúvidas, fatores que decidiram eles terem ganho como “Pior Banda” no NME Awards de 2014. Entretanto, é evidente onde os sentimentos da Nova Zelândia se acomodam. Se o Twitter for algum indicador, então a Nova Zelândia está definitivamente apaixonada pelo The 1975. A banda foi um dos assuntos mais falados após o Big Day Out, por mais de 24 horas depois – um feito que não foi alcançado por nenhum outro artista que tocou no festival desse ano; nem mesmo Pearl Jam, com suas manchetes de Eddie Vedder mandando presentes como vinhos e mensagens de “obrigado” escritas à mão.

“Nós começamos a banda com 13 anos – então quando você começa uma banda com essa idade, você está fazendo por uma reação imediata, por diversão imediata. Você não está fazendo porque você quer ser legal, está fazendo pelo mesmo motivo pelo qual joga vídeo game ou futebol.”

COUP DE MAIN: Bem-vindos à Nova Zelândia! É bom tê-los aqui fazendo show para divulgar o álbum de estreia. Vocês se divertiram quando tocaram no Big Day Out Auckland?
THE 1975 – MATTHEW HEALY: Obrigado, obrigado. Sim, nós amamos, foi muito divertido. Foi difícil [também], porque nós não dormimos propriamente numa cama há dois ou três dias. É tão longe de Londres para chegar aqui, mas é incrível. É um país lindo e todo mundo é muito legal, nós realmente gostamos. Nós sempre quisemos vir aqui e tem um mistério nisso por sermos do Reino Unido, porque é bem longe. Algumas pessoas simplesmente não conseguem chegar aqui, mas estou grato que conseguimos.

CDM: Eu soube que tinham alguns fãs esperando por vocês no aeroporto ontem quando chegaram.
MATTY: Acho que está começando a acontecer internacionalmente agora; é meio estranho. Japão e países asiáticos parecem ser bem prolíficos quanto a seus fãs.
THE 1975 – GEORGE DANIEL: Hong Kong também é outro bom lugar.

CDM: As redes sociais dão a vocês alguma ideia de como os fãs são antes de irem a algum país pela primeira vez?
MATTY: Eu suponho que sim, mas é um borrão e uma miscelânea de angústia adolescente que você não pode realmente entender ou diferenciar de onde cada um é, ou sobre o que cada um está falando. Nosso Twitter agora é meio difícil de acompanhar.
GEORGE: Sim, nós meio que mantemos menos contato agora.
CDM: “Siga-me! Siga-me!
MATTY: Sim! Eu não gosto desse negócio de seguir, já falei sobre isso em inúmeras ocasiões, mas é difícil de saber onde cada um vai estar.

CDM: Os fãs do The 1975 são bem ativos online e devotados em promover a banda. Algumas bandas se intimidam ao terem uma relação com os fãs, preferindo uma abordagem distante, mas em um mundo ideal como a relação de vocês seria com os fãs? Seria o que vocês já têm no momento?
GEORGE: Sim, creio que sim. Acho que a questão é que inicialmente éramos bem reservados online, e nós deliberadamente não interagíamos com nossos fãs no começo. Mas quando toda a banda veio à vida e nós começamos a fazer shows, percebemos que as pessoas se sentiam recompensadas ao nos conhecerem porque nós fomos muito evasivos antes. Agora tentamos falar com muitas pessoas se possível, de verdade.
MATTY: Exatamente. Não há nenhuma interação direta com ninguém online. Nós sempre tivemos uma abordagem minimalista em relação ao jeito como nos projetamos nas redes sociais, mas parece que há mais sobre as pessoas quererem fazer parte da nossa turma. Parece que há uma vontade de quererem estar em contato com nós – estar em contato com nossos fãs – que é onde esse tipo de conexão se origina. Eu suponho que somos um pouco distantes, mas as pessoas ainda investem muito na banda.

CDM: Eu amo que as músicas de vocês soam como monólogos em forma de canção. Vocês escrevem letras específicas para as músicas, ou vocês escrevem poemas ou prosas e então as evoluem para um formato de canção?
MATTY: Essa é uma boa percepção. Eu acho que… Você tem que lembrar que todas as letras – se estamos falando sobre letras – foram escritas antes mesmo de alguém saber o que a banda era. Então essa honestidade e a “exposição do meu coração”, que agora me define, ironicamente vem de um lugar bem inseguro. Foi principalmente: eu tentando entender, em forma de monólogo, partes da minha personalidade que eu não estava particularmente gostando… E aí as pessoas descobriram sobre isso. Como se alguém tivesse descoberto um diário. Então suponho que isso provoque uma pergunta: será que minha honestidade permanecerá agora que sei que as pessoas sabem quem eu sou? E eu não sei. Você não me perguntou isso! Mas eu mesmo me perguntei. <risos>
GEORGE: Alguém te perguntou isso outro dia e você pirou.
MATTY: Sim, é por isso!

CDM: John Hughes parece ter marcado suas visões sobre a transição da adolescência para vida adulta e como é ser um adolescente. Vocês já consideraram o fato de que, para alguns fãs, o John Hughes deles são vocês?
GEORGE: Mas não tão velhos.
MATTY: Não, não realmente. Eu não cheguei a pensar sobre isso. Suponho que… Nós não pensamos dessa forma. É difícil para nós entendermos toda essa coisa por ser tão novo para a gente… Essa ideia das pessoas conhecerem nossa banda. Ainda ficamos em choque quando fazemos um show e as pessoas sabem as letras e coisa parecida. Eu nunca pensei sobre isso dessa forma. Entendo que nossa música e as coisas que nos inspiram definitivamente informam outras pessoas e os guiam para entender as coisas por eles mesmos, mas é bom pensar que sentem por nós o mesmo que sentimos pelas pessoas que nos inspiram. É legal pensar isso.

CDM: Existem muitas bandas novas que crescem e chegam à fama com um single. E então se apressam para produzir o primeiro álbum e às vezes se esgotam para fazer um segundo álbum ou têm disfunções internas entre o grupo e acabam terminando. Mas vocês se conhecem há muitos anos e, mesmo que o primeiro álbum tenha sido lançado ano passado, sinto que vocês estavam constantemente construindo as bases da banda com os quatro EPs. Sempre foi importante para vocês, como uma banda, controlar o andamento?
MATTY: Exatamente.
GEORGE: As canções do álbum abrangem tantos anos. Nós estamos tocando por nove anos agora, quase dez. Então há canções que passaram por gerações de quatro ou cinco anos atrás e agora estão no álbum. É especial – nós não teremos tanto tempo para escrever assim, de verdade. Tínhamos muito tempo e muitas épocas diferentes de nossas vidas que entraram no álbum, e acabamos aperfeiçoando tudo quando chegou a hora de gravá-lo.

CDM: Eu sempre admiro decisões do tipo de negar algo como sair em turnê com Rihanna, porque sinto como muitas bandas preferem contar vantagem ao invés das coisas que eles realmente concretizaram. Houve algo em particular que os influenciou a sempre considerarem a carreira da banda em longo prazo?
MATTY: Fazer música, porque nós gostamos de música. Eu acho que a indústria da música é controlada pelas ideias que a rodeiam – como se fosse uma fórmula – mas o ato de criar música é a base pelo qual nós fazemos. Nós começamos a banda com 13 anos – então quando você começa uma banda com essa idade, você está fazendo por uma reação imediata, por diversão imediata. Você não está fazendo porque você quer ser legal, está fazendo pelo mesmo motivo pelo qual joga vídeo game ou futebol. Agora essa ideia, esse mantra, nunca nos deixou. E é por isso que nós nunca fomos compreendidos pela “mídia hipster” no Reino Unido. Por exemplo, nós fomos votados como a pior banda pelo NME, e isso não nos incomoda, pois esses tipos de publicações e essas ideias são baseadas em elementos frívolos e frágeis que rodeiam a música, e não é sobre a música propriamente dita. É tudo sobre o que é legal, o que é passado e o que é presente – enquanto isso não nos afeta. Nós apenas gostamos de fazer música e temos sorte de sermos compreendidos o suficiente para verdadeiramente fazer isso. Foda-se todo o resto, não importa, é o que pensamos.
CDM: O álbum número um diz tudo.
MATTY: Sim, o álbum número um diz tudo.

CDM: Josh, do You Me At Six, recentemente criticou o BRIT Awards por não terem nomeado o The 1975 em nenhuma categoria. Premiações como essa não significam nada para vocês?
MATTY: Oh, não importa. Você não pode esperar ser recompensado por uma indústria que você subverte. Você sabe, tanto faz. Vamos ficar em um silêncio digno quanto a isso. Eu não vou ficar difamando o BRIT Awards, se tinham uma programação ou o que seja. Está legal, está tudo bem, estamos indo bem. Estamos na Nova Zelândia! <risos>

Fonte: Coup De Main Magazine
Leia a entrevista em inglês, na íntegra, no site coupdemain.co.nz.
(Março de 2014)






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